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Curso de Férias

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Por Tilly Garcia

Chegou Janeiro, e junto com ele, muitas opções de cursos de férias para quem não quer ficar parado antes das aulas nas escolas realmente começarem.

Os cursos de férias são ótimos ambientes para crescer, é uma oportunidade de conhecer novos professores, novos métodos, novos colegas, contatos e muito mais.

Vale lembrar que muitas vezes queremos ir com tudo nos primeiros dias e isso pode acarretar lesões, por isso a volta requer cuidados e atenção! 

E claro, sempre lembrando de uma alimentação equilibrada, água e não se esqueçam de alongar sempre.

Logo abaixo uma lista de alguns dos cursos de férias em sp.

Mostra Dança de 13 até 24 de janeiro- https://www.mostradanca.com/cursosp

Centro de Danças Mavi Chiachietto de 20 até 25 de janeiro https://www.balletcdmc.com/curso-de-ferias 

Passo de Arte Move Summer Course de 9 até 19 de janeiro- http://www.passodearte.com.br/site/index.php/evento/passodearte-move-summer-course-indaiatuba-sp/

Tentáculo Dança de 13 de janeiro até 1 de fevereiro- https://www.facebook.com/tentaculodanca/

Estúdio de Dança Movimento em Foco de 20 até 24 de janeiro- https://www.estudiomovimentoemfoco.com/   

Grupo Raça de 6 até 18 de janeiro- https://racacentrodeartes.com.br/cursos

Paula Firetti de 20 até 24 de janeiro- http://academiapaulafiretti.blogspot.com/ 

Curso de Férias com Marize Matias técnicas base de José Limon e Safety Release de 20 até 24 de janeiro- https://www.instagram.com/marizematias/

Bravo Ballet de 20 de janeiro até 8 de fevereiro- https://www.bravoballetbrasil.com.br/

Beijinhos e boa volta as aulas.

 

Obesidade e como comecei a dançar

Por Théo Yano

Acredito que muitos amigos já sabem, mas para os que ainda não tive a oportunidade de abrir essa história, a dança entrou em minha vida como uma forma de tratamento.

Sempre fui uma criança bem alimentada, bem bem alimentada, se assim podemos dizer, comia de tudo e mais um pouco. O peso nunca foi um problema na infância, conseguia participar das atividades normais que toda a criança participava. Porém, aos 10 anos de idade comecei a não praticar mais atividades físicas e nem a brincar mais com os amigos, principalmente em atividades que exigiam mais vigor físico. 

“AOS 11 ANOS FUI DIAGNOSTICADO COM OBESIDADE INFANTIL” 

Talvez, a reclusão pode ter sido ocasionado pelo tema da sexualidade que se aflorava (assunto que era um tabu familiar), somado ao tão famoso bullying que sofria tanto pelos “colegas” na escola, quanto pelos “amigos” do prédio onde morava. 

Não sei ao certo o que me deixou um menino tão isolado, eu disse isolado, não triste nem depressivo, apenas me isolava por opção. Com isso, assistia muita TV, vídeo clipes na MTV e todos os desenhos animados que existiam.

E lógico que comer foi também um lugar de refúgio, me lembro que tinha prazer em comer uma pizza inteira com 1 litro de Coca-cola, em pedir o combo grande no Mc Donald´s no lugar do Mc Lanche Feliz. 

Bem, a soma de tudo isso com 11 anos fui diagnosticado com obesidade infantil, 1,45m, 98kg, falta de atividade física e muita comida lixo, fizeram que as taxas de colesterol e triglicérides fossem alarmantes para minha saúde alertando os meus pais e o médico da família. 

“DIETA, ATIVIDADE FÍSICA E VERGONHA NA CARA”

Diagnóstico na mão, as soluções eram, dieta, atividade física e vergonha na cara, na década de 90 ser gordo era falta de vergonha na cara, pode que eu veja isso com humor hoje, mais na época, me senti muito culpado.

Foi uma luta de 6 meses para encontrar uma atividade que eu gostasse, dentro de um ambiente que pudessem respeitar meus limites e entender minha condição… Comecei a difícil dieta juntamente com aulas de capoeira, karatê, lambaeróbica, vôlei, handball, natação entre outras atividades que infelizmente não consegui me adaptar.

Obs: todas essas atividades foram proposta pelos meus pais, eu não sentia real interesse em nenhuma dessas atividades. 

Foi quando, um dia, fui buscar uma amiga depois da aula de balé dela, para fazer nosso trabalho de literatura… Ela marcou comigo as 18h e eu como sempre responsável, 17h45 estava na recepção da academia para esperá-la. Me deparei com um ambiente suave, com todas as pessoas muito gentis, me desejavam boa tarde e uma música clássica suave ao fundo. Todos sorriam e todos me olhavam com curiosidade. Ao conversar com a secretária disse que estava esperando minha amiga e ela me convidou a assistir o finalzinho da aula, naquele momento acho que se ela tivesse me oferecido qualquer coisa eu aceitaria pois estava tão encantado com as pessoas e o ambiente. 

“NÃO VEMOS MUITOS MENINOS POR AQUI” 

Entrei na sala e minha amiga ficou mais feliz ainda, me deu um discreto tchauzinho e se colocou para os grandes saltos. Foi realmente lindo, as meninas todas de collant, meia calça, sapatilha e suadas que até pingava no chão. Movimentos difíceis mais execução suave, a música forte mas agradável e a professora enérgica porém incentivadora. 

A aula terminou, minha amiga foi se trocar e a professora veio conversar comigo: “- não vemos muitos meninos por aqui”.

Resumindo, me deu importância e fez sentir acolhido. Me convidou a fazer uma aula para ver como era e eu aceitei. Foi então, desde esse momento que comecei a dançar e a me dedicar, a essa arte linda. 

Quanto a OBESIDADE, acabei tomando consciência de que era importante cuidar de mim mesmo e que comer bem, faz parte do se alimentar bem, de que consumir alimentos certos me possibilitam ter energia e que me ajudam não só na parte física quanto cognitiva.

Lógico que falar é muito fácil, passei maus bocados com dietas e regimes malucos. Mudar de uma criança obesa para uma estética completamente fora do padrão do brasileiro foi um desafio. Desafio esse necessário, pois, acredito que a dança gerou esse sentimento de responsabilidade e que me transformou.

Atualmente não danço mais e não me cobro tanto, mas minha experiência foi diferente de muitos, onde ser magro é uma imposição, para mim, desde pequeno foi uma condição de saúde e sempre tomei assim.

Meu peso ideal, acho que agora estou no meu peso ideal, quem diz isso não é uma tabela ou uma medição… sou eu, eu que digo, estou no meu peso ideal. Como o que eu gosto sem culpa e quando acho que preciso emagrecer controlo nas quantidades.

“…TEMA DA BALANÇA, SEMPRE ENCAREI COMO UM MAL NECESSÁRIO, UM TRATAMENTO” 

Bom, essa foi minha experiência com o tema da balança, sempre encarei como um mal necessário, um “tratamento” de saúde. Lógico que existem doenças relacionadas ao peso, anorexia, bulimia, depressão, e entendo que a cobrança por um peso e estética ideal de um bailarino/bailarina vai muito além da minha experiência. Cada caso é um caso, mas acho importante contar minha experiência e como consegui passar por essa exigência rigorosa tanto na minha formação como nas cias profissionais onde tive oportunidade de atuar.

@destacato  @theoyano

 

Balé e o Corpo

Por Tilly Garcia

Confesso que pensei muito em como abordar esse tema, já que é um tema tão delicado, e cheguei a conclusão que a única propriedade que tenho para falar sobre é a partir de minha experiência pessoal, e é isso que farei nestas linhas.

De pequena soube que a bailarina clássica que segue esta carreira por profissão tem um padrão físico, mas como uma criança de 8 anos pode se quer saber disto? Através de minha primeira aula de balé, aliás eu estava tão feliz por finalmente poder começar a dançar que esse era só meu objetivo e sonho, mas lembro que recebi elogios por ser longilínea e magra, e que eu tinha futuro por este aspecto, não entendia muito bem como se enxergava isso ou se media isso mas entendi que era alguma regra, claramente depois com o tempo me deparei com técnica, sensibilidade artística, musicalidade, musculatura, inteligência e outros diversos aspectos que fazem alguém ser bailarino, mas voltemos ao tema corpo.

Quando eu era criança, podia comer de tudo que não engordava, após alguns anos quando menstruei e estive na adolescência meu corpo naturalmente mudou…

Meu quadril cresceu e eu ganhei peso, foi estranho entender que eu sentia meu corpo diferente com outras sensações e que eu já não poderia comer qualquer coisa, via minhas referências na dança magérrimas, e queria fazer de tudo para ser assim, treinava muitas horas por dia e até da balinha eu contava as calorias, consegui nessa época ficar bem magra porque também entendi que as audições seguem com padrões de físico e vi isso quando fiz minha primeira audição, muitas meninas com muita técnica foram desclassificadas antes mesmo de mostrarem quão boas eram, eu fiquei nessa primeira audição, me questionei, duvidei de mim e de minha qualidade como bailarina, mas entendi ali que seria assim.

Como queria seguir carreira como bailarina viajei pra fora do país e entrei em uma cia,  tinha sido a primeira vez que morava sozinha, em outro lugar, com idioma diferente e longe de todos, meu emocional ficou muito abalado e eu encontrava conforto na comida, engordei…comecei a me ver no espelho de um jeito que não era o ideal, fiquei nervosa, isso me produziu ansiedade e eu comia mais e mais, passava por minha cabeça querer vomitar tudo o que comia, confesso que tentei, mas quando me vi naquela situação olhando para o vaso sanitário eu me perguntei o porque estar assim, descobri ali que não estava feliz aonde estava, que não era o que eu buscava…

Decidi voltar para casa, para o Brasil, com família e me permitindo ser acolhida, retomei forças e saí de novo em busca do meu sonho, entrei em outra cia fora do país, mais uma vez engordei, dessa vez minha diretora veio me dizer que eu estava “grandinha” e que eu precisava me cuidar, foi difícil escutar isso e pra piorar ela me tirou de todos os balés, basicamente fiquei no banco de reserva, passei momentos de raiva, ansiedade, vontade de desistir comecei a culpá-la por me ajudar a engordar já que eu sem dançar não me movia e com isso ficava difícil perder calorias, mais uma vez voltei à mim e me perguntei sobre o que eu queria de verdade e o que eu estava fazendo ali, foi quando procurei uma nutricionista para me ajudar, comecei a fazer aulas por fora para melhorar tecnicamente.

Quando viram o resultado, eu voltei a ser colocada nos balés de volta e até dancei como solista em alguns, foi um processo difícil mas com certeza saí mais forte, não porque emagreci, mas porque soube levar isso com calma e pelo lado saudável.

Passadas estas  experiências tive sim outros momentos de embate com o corpo, mas eu já entendia como lidar com tudo e que meu maior problema era emocional.

Há uns 4 anos tive uma lesão grave no joelho, parei total de dançar por dois anos e com isso desejei zerar todos estes traumas, todas essas condições físicas impostas e cuidar da cabeça, desejei comer tudo o que eu quisesse, desejei que meu corpo sentisse e me falasse as vontades e o que precisava, eu me deixei livre e me permiti sentir, quando voltei a dançar novamente naturalmente meu corpo foi tomando forma pela atividade física e eu consciente fui podendo escutar, fiquei mais feliz e mais saudável entendendo que o corpo necessita os nutrientes adequados para funcionar para dançar com energia e vida, soube escolher opções saudáveis de comida, e que um docinho aqui e ali não fazem mal à ninguém, que comer bem evita lesões e que você pode ter um corpo de bailarino assim, que é sempre bom procurar um profissional que cuide dessa parte antes de se jogar em dietas malucas, e que tudo pode ser muito mais tranquilo, sem traumas e com total aproveitamento, o mais importante nessa jornada é você, sua cabeça, seu equilíbrio, afinal de contas é você que vai viver sua vida, e levar seu corpo a experimentar as vitórias, alegrias, satisfações dessa jornada, viva sua vida na plenitude e por favor que tudo saia de seu coração com alegria e amor sempre! 

Nossa colaboradora Thais Rabelo me entrevistou para falar sobre este tema, aliás a idéia deste post saiu desta entrevista.

Vídeo entrevista: Thais Rabelo

Edição de vídeo: Vinicius Basílio

 

@destacato @tilly349

 

O Quebra-Nozes

tk-nutcracker-alexander-campbell-francesca-hayward-snowflakes-wide_1000Foto: Tristram Kenton

Por Tilly Garcia

Chega dezembro, e junto com os preparativos do Natal, também é encenado pelo mundo um dos balés mais conhecidos e amados.

É bem verdade que o balé Quebra-Nozes é um sucesso e conquista a cada ano mais fãs, se tornou popular pelo mundo com o tempo e é muito associado a essa época do ano, seja por pessoas do mundo da dança como por pessoas que vivem outras rotinas em seu dia a dia.

Mas será que sua estréia foi este sucesso?

O Quebra-Nozes foi estreado em 18 de dezembro de 1892 no Teatro Mariinski, em São Petersburgo, ou seja,  que faz parte da época do período clássico do ballet, seus principais intérpretes foram Antonietta Dell´Era  e Paul Gerdt nos papéis de Fada-Açucarada e do Príncipe, na época de estréia a obra não obteve sucesso, só obteve sucesso em sua estréia no território ocidental 42 anos depois em 1934, no Sadler’s Wells Theatre, em Londres.

Outra curiosidade é que esse balé com música de Tchaikovski , na verdade foi coreografado em sua maior parte por Lev Ivanov assistente de Marius Petipa, pois Petipa adoeceu durante o processo coreográfico , até hoje existe um debate em quem realmente é o corégrafo devido a essa mudança. O balé foi baseado de um fragmento do conto O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos na versão de  Alexandre Dumas, pai, de um conto infantil de E.T.A Hoffmann.

Uma das cenas mais famosas de O Quebra- Nozes é a variação da Fada Açucarada, inclusive sua música é muito usada não só em dança como também em trilhas de filmes, desenhos ou até mesmo em lojas com temáticas natalinas, para esta música foi usado um instrumento totalmente novo na época a celesta que justamente fez sua estréia no mundo musical com O Quebra-Nozes.

Curiosidades a parte, esse balé traz toda a magia do Natal, nos faz sonhar, rir, e se emocionar, é um balé para toda a família e que cada vez ganha mais adeptos. Aqui em São Paulo você pode prestigiar O Quebra-Nozes com a Cisne Negro Cia de Dança no Teatro Alfa de 12/12 até 22/12.

Está aberta a temporada de Quebra-Nozes e nós adoramos.

 

Chegamos!!!

Dois amigos se uniram a partir do desejo de compartilhar idéias, pensamentos e experiências na dança, da dança e para dança.

Tilly e Theo se conheceram e criaram um laço de amizade através da dança, vivenciaram experiências em companhias fora do país, aonde tiveram que lidar com novas culturas, idiomas e muito jogo de cintura, e aqui nasce a Destacato na versão blog.

A Consciência Negra no Balé

Por Theo Yano

Em pleno século XXI onde as diferenças são qualidades e onde valoriza-se
cada vez mais as aptidões individuais, é incompreensível que exista
preconceito dentro de uma comunidade artística, ainda mais se falando da
dança onde nem sexualidade, raça e classe social deveriam interferir em
cena.
Tabu ou não, muitas bailarinas e bailarinos desistem de seus sonhos por
falta de trabalho e oportunidade, a maioria almeja ser um uma estrela,
porém, aonde está a representatividade da raça negra nas grandes
companhias do mundo?
Claro, hoje em dia, para um menino negro ou uma menina negra é comum
se ver em uma cia. contemporânea, porém, para quem quer dançar Giselle
ou Lago dos Cisnes como papel principal, precisa ser extremamente
excepcional e contar com diretores, repositores e companheiros muito
esclarecidos e imunes de quaisquer preconceitos, incluindo a plateia.
De fato, sabemos que pouco se vê os personagens do balé clássico de
repertório tradicional sendo interpretados por bailarinos negros, os
homens ainda tem mais representatividade devido a pouca adesão de
meninos no balé e de alguns artistas que ascenderam a cargos de
primeiros bailarinos em cias. importantes como o norte americano Arthur Mitchell (Ex-Bailarino Principal do New York City Ballet e fundador do
Dance Theater of Harlem), e o cubano Carlos Acosta (Bailarino Principal do
Royal Ballet de Londres, atual diretor da Cia. Acosta Danza).
Já as mulheres, são muito poucas as que chegam perto desse sonho,
destacam-se Misty Copeland (solista principal do American Ballet Theatre) que é ativista e inspira milhares de meninas negras, Céline Gittens (solista
do Birmingham Boyal Ballet), Precious Adams (corpo de baile do English
National Ballet) e Michaela De Prince (participou do Documentário “The
First Position”, passou pela Cia. Jovem do Het Nationale Ballet/Dutch
National Ballet e hoje faz parte do corpo de baile). Pouquíssimas bailarinas
ascendem a esses grandes cargos, sendo assim, muito difícil protagonizar
papeis de primeira figura.
Logicamente existem companhias como Ballet Black, Alonzo King LINES
Ballet e a histórica Dance Theatre of Harlem que tem como objetivo
defender a inclusão e servir de modelo para as outras. Conheça Ingrid Silva uma brasileira incrível, negra, carioca e Primeira Bailarina do Dance
Theatre of Harlem, que deu uma entrevista a nossa colaboradora Thais Rabelo, leia a seguir.
Para concluir, vale a reflexão de todos nesse dia 20 de novembro de 2019
onde celebramos o dia Nacional da Consciência Negra no Brasil o quanto é
importante a comunidade da dança, lutarmos por igualdade, seja ela
racial, ou não para enriquecer essa difícil e sacrificada profissão, sermos
esclarecidos e conscientes. Cada artista tem sua arte e cada estrela seu
brilho, não importa raça, politica, ideologia, religião ou time de futebol,
sejamos mais plural e bora nos livrarmos das correntes que aprisionam
nossos próprios preconceitos e fazer da dança um lugar de inclusão e
respeito.

“Aqueles que foram vistos dançando foram
julgados insanos por aqueles que não podiam
escutar a música”

Friedrich Nietzsche

Também assista:

Diversidade no mundo do ballet, ballet para todos!

Conversa com Bial – Bailarino Ismael Ivo e Ingrid Silva

 

Entrevista com Ingrid Silva

Por Thais Rabelo

A bailarina Ingrid Silva, vive esta realidade. Brasileira e negra, começou a
fazer dança no projeto social Dançando para não Dançar no Rio de Janeiro
e deixou o país para seguir seu sonho de ser bailarina clássica profissional.
Ingrid conta que foi quando entrou na companhia Dance Theatre of Harlem
que percebeu a falta de representatividade que tinha no Brasil.

Destacato: Você já sofreu com o preconceito dentro da sala de aula ?

Ingrid Silva : Todos os preconceitos passados, nunca foram verbais mas sim com
olhares!

Destacato: Você sente ou já sentiu diferença em relação as outras bailarinas
por ser negra?

Ingrid Silva: Não! Eu somente realizei que tinha essa diferença quando eu entrei
pra companhia que eu danço hoje em dia Nova Iorque Dance Theatre of Harlem.
Quando estive em uma sala onde todos se pareciam comigo.

Destacato: Como é trabalhar em uma companhia como o Dance Theatre of
Harlem?

Ingrid Silva: É incrível , é uma companhia que faz a diferença no mundo da dança
que tem quebrado barreiras expandindo horizontes, fico muito feliz de fazer parte
de uma companhia que abre a porta para os futuros bailarinos.

Destacato: Hoje em dia você acredita que mais bailarinas negras têm
chances igualitárias para chegar ao cargo mais alto em uma companhia de
balé clássico e dançar os papéis principais?

Ingrid Silva: Sim, mas pra que isso aconteça, as companhias têm que abrir portas
para diversidade, e ter mais bailarinas negras em seus grupos

Destacato: Conhece outras companhias estrangeiras que trabalham apenas com
bailarinos negros? Qual a sua opinião sobre elas?

Ingrid Silva:Conheço Alvin Ailey que é uma companhia que trabalha com
bailarinos negros mas eles também mantém a diversidade só que essa
companhia não é clássica e sim contemporânea ou seja até hoje o Dance Theatre
of Harlem é única companhia clássica que trabalha com diversidade no palco.

Destacato: Você acredita que companhias com o ideal da Dance Theatre of
Harlem têm forças para mudar o cenário atual do balé clássico?

Ingrid Silva: Com certeza!!!

Destacato: Qual bailarina te inspira? Quem é sua maior referência no balé?

Ingrid Silva: Hoje em dia minhas experiências me inspiram. Mas Ana botafogo
sempre foi uma inspiração.

Destacato: Qual seu plano de carreira no balé clássico?

Ingrid Silva: Meu plano trazer o melhor de mim para o
público trabalhar duro, trabalhar com mais coreógrafos, dar aula, poder ter
experiências no mundo da dança que vai me fazer crescer como artista.

Destacato: Pra você qual seria o mundo ideal do balé?

Ingrid Silva: Creio que pra mim um mundo ideal seria um mundo da diversidade
na dança.

Destacato: O que você diria as aspirantes a bailarinas clássicas?

Ingrid Silva: Acredite em seus sonhos, a única pessoa que pode chegar onde
você deseja é você!!

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